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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
O crucifixo na sala de aula
Novamente a polémica estala. Esta questão não é de agora. Já é recorrente e é despertada, de quando em vez. E eu fui apanhado, nos meus 12 últimos anos de serviço, aqui em Ramalde, Porto, por esta questão. E foi muito simples. Recebo um telefonema do Conselho Executivo a informar-me que iria receber dentro de momentos no estabelecimento uma jornalista do Diário de Notícias para prestar umas declarações sobfre os crucifixos na sala de aula. Muito bem, disse eu, terei todo o gosto em responder a todas as questões da jornalista desde que estivesse ao meu lado a representação do mesmo Conselho Executivo. Que não, não era possível estar ninguém do Conselho Executivo, pelas mais variadas razões. Então eu finalizei com a minha negativa em receber pessoalmente o diário, argumentando que como os meus superiores hierárquicos sabiam, eu só podia prestar declarações à imprensa desde que fosse autorizado. E assim ficou uma jornalista sem entrevista... Saudações tripeiras do Francisco.
Música: 'Minha em Mi' RÃO KYAO
Sinto-me: Tripeiro
De
Dylan a 20 de Novembro de 2009 às 09:24
A deliberação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, contra a presença de crucifixos nas salas de aula, foi encarada pelo Vaticano e pelo clero português como uma perseguição ao cristianismo. Mais realista, o cardeal patriarca de Lisboa disse que não foi a Igreja que colocou os crucifixos nas escolas, ou seja, compete aos governantes fazer cumprir a lei expressa na Constituição da República - a separação entre credos religiosos e o Estado, no nosso caso, laico. Mais recente, a Lei da Liberdade Religiosa é taxativa: o Estado não pode propagandear ou adoptar qualquer religião. Numa sociedade cada vez mais multicultural, não tem sentido que a maioria e a tradição imponham a sua vontade, oprimindo o direito à diferença. Não serão os símbolos religiosos uma espécie de evangelização forçada em estabelecimentos públicos como escolas e hospitais e, consequentemente, uma castração da liberdade individual?
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