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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007
Pela ruralidade

Embora me considere um citadino de meia costela, gosto de vez em quando dar uma saltada até à aldeia das minhas raízes, que fica entre Douro e Paiva, onde tenho então a outra meia. As memórias dos caminhos, das casas, dos campos, dos montes e sobretudo das pessoas são-me familiares e cada passo que por lá dou faz-me recuar uns anitos e sentir todo o bulício campestre, agora tudo parado num marasmo ensurdecedor devido também à globalização. No meu subconsciente ainda paira o cheiro a estrume espalhado nos campos que não tinha a agressividade do odor fétido de águas poluídas que a céu aberto jorram para o Rio Douro na actualidade.
Por aqui ou ali, no monte ou no campo gosto de sentir o marulhar da folhagem, o chilrear da cerejina e o cantar da água cristalina na levada no meio de todo aquele silêncio divino-sepulcral. É aqui que os poetas enchem o peito para depois expirarem nos poemas toda esta frescura da natureza. Como eu gostava de ser poeta, ou antes, saber escrever poesia!...
Manadas de gado tangido por moços boieiros para a feira quinzenal de Nespereira, tudo a penantes por caminhos travessos, davam um ar buliçoso à minha aldeia embora a feira ainda ficasse a três quilómetros de distância! E que dizer de manadas de vitelos que vinham da feira do Marco de Canavezes para o matadouro do Porto, a boots pois claro, encaminhados por tangedores (mais uma profissão extinta). Felizmente ainda há memórias vivas que nos recordam esse tempo. A minha sogra de 89 anos, ainda de cabeça fresca, é uma dessas testemunhas. Quem geograficamente conhece a distância entre o Marco e o Porto pode tirar daí ilações sobre a vida daquela época.
Era o Portugal agrícola que fervia entre fronteiras cerradas, com o lema do mais produzir é que está o ganho.
Campos, leiras e leirinhas, pequenos quelhos, tudo era fabricado com a ajuda do gado vacum quer nas lavras ou transportes nos carros. A imagem do canastro, que acompanha este post, implantado sobre um caminho público para não ocupar espaço no terreno lavradio é bem a constatação do aproveitamento até ao tutano da terra.
O trabalho na agricultura era de sol a sol ou mesmo antes do sol nascer (ver minha crónica http://magisterio6971.blogs.sapo.pt/127836.html, neste blog). Gente que labutava arduamente e espelhava uma alegria de viver que nos dias de hoje não acontece.
Eu pessoalmente curvo-me perante toda essa gente do Portugal rural da minha juventude

Viver o presente, olhando para o passado dá-nos ânimo para seguirmos em frente, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 19:11
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3 comentários:
De Franc a 1 de Agosto de 2007 às 14:40
«Viver o presente, olhando para o passado dá-nos ânimo para seguirmos em frente.» Concordando com esta máxima, só desejo que continues a olhar para o passado, principalmente da maneira como o tens feito aqui. É um verdadeiro exercício para os meus sentidos ler as tuas crónicas, meu caro. Aquele abraço do Francisco.


De Maria da Graça a 4 de Agosto de 2007 às 11:18
Que bela crónica! Como digo habitualmente, é mais um dos excelentes artigos do António. É um privilégio ler os seus posts. Sem qualquer bajulação: parece a escrita de Eça de Queirós, que até estou a reler.
Gostava de referir-me a dois pontos deste artigo:
1-A admiração demonstrada pelas suas raízes e o carinho que sente pela sua terra.
2-O desejo manifestado pelo autor em ser poeta. Pois, eu ao ler este post, dei comigo a pensar:-"Isto é poesia em prosa, como eu costumo dizer".
Provavelmente o nosso amigo António até é poeta, apenas ainda não se propôs a experimentar.
Também eu me curvo perante esta gente pura e laboriosa do Povo.
Um abraço
de Maria da Graça


De antonioduvidas a 4 de Agosto de 2007 às 18:49
Eh Mª da Graça, obrigado por teres comentado, mas não te estiques tanto!...

Saudações, antonio


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