Os autores deste jornal virtual cumprimentam todos os que passam os olhos pelos assuntos destas páginas.

Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Nacos da vida
Já por aqui falei na primeira escola onde leccionei na Foz do Douro. Quando lá cheguei fui recebido pelo Delegado escolar que acumulava estas funções com o ensino, professor Ferreira da Costa. Era já um veterano, pertencia àquele estrato de professores primários com saberes adquiridos. Já aqui fiz, num post, em jeito de homenagem a minha admiração por esses mestres. Tinha, segundo me dizia, começado a sua carreira numa escola de Pataias, Alcobaça e contava-me muitas peripécias desse tempo que já as não tenho presente. Chegava à escola no seu “vauxall viva 1000”, era o único professor que chegava lá de pópó digno desse nome, havia outro que tinha uma chocolateira, os outros professores utilizavam os transportes públicos, principalmente o “amarelo”.
Morava na Foz contava-me umas histórias, estas ainda as tenho presente, das festas restritas que se faziam por ali, em que no fim após um convívio animado as chaves dos apartamentos dos pares eram colocadas numa mesa, baralhadas e depois tiravam à sorte e... iam-se divertir!... Comer sempre tripas à moda do Porto, um bom prato por sinal, era indigesto na óptica dos utentes parodiantes dessas festanças. Passadas mais de três décadas e meia estas malandrices já não fazem notícia, aliás nunca fizeram, agora tivemos tudo às escancaras como no “Salão erótico de Gondomar”, no Pavilhão multiusos que decorreu há pouco tempo. A coisa foi muito publicitada e segundo a imprensa até o major fez por lá uma aparição não descurando umas apalpadelas civilizadas. Mas isso também é a não notícia...
Mas ainda voltando ao citado professor, era um tipo da situação. Não fazia parte daquele naipe de professores primários que ao fim da tarde coçavam as cadeiras do Café Embaixador falando mais do mesmo com algum antifascismo de um ou outro sempre com as devidas cautelas pois os bufos nos cafés estavam à cuca destes tertulianos, era antes um isolacionista, salazarista vincado, estávamos em 1971. Dizia-me, sobre os malefícios da primeira república:
- Vá à biblioteca do Porto e veja nos jornais da época a balbúrdia que havia com manifestações e sarrafuscas, golpes e contra golpes quase todos os dias. E concluía, Salazar veio pôr ordem no país. (Ainda não se falava no 25 de Abril e na instabilidade que também se gerou durante o PREC).
Usava uma régua não para aquilo que estão certamente a pensar, mas para bater com ela na secretária, que já acusava o martírio, para chamar a atenção dos alunos qual professor do petiz, mais tarde escritor, Trindade Coelho que foi acompanhado à escola pela mão da governanta:
“Um mestre sem palmatória é um artista sem ferramenta, não faz nada. Santa Luzia milagrosa! Aqui onde a vê, senhora Helena,  tem feito muitos doutores”.
O certo é que naquela altura os alunos, na sua própria irrequietude, acatavam o mestre. Actualmente, e eu que tenho em casa duas filhas professoras, à hora do jantar é só ouvir histórias de cortar à faca, a ribaldaria no ensino é demais! Mas se olharmos para o lado parece que em todos os níveis acontece a mesma bandalheira por este país.
Onde estará o Sebastião José de Carvalho e Melo para pôr tudo nos trinques?!... Nem os actuais Távoras se safavam!...


Fiquem bem, antonio



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Publicado por antonioduvidas às 09:12
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007
Olhar o Porto

O numeroso grupo, eram mais que as mães, ávido de aprofundar os conhecimentos sobre o Porto compareceu às 21 H de ontem junto ao jardim Marques de Oliveira, vulgo S. Lázaro. A força da tradição é mais forte que a vontade dos homens do poder e estou também a lembrar-me do jardim da Cordoaria que oficialmente tem a toponímia de Mártires da Pátria, mas há mais, como Leões, Arca d´água etc...
Com o patrocínio da CMP, com orientação do Dr. Júlio Couto ficamos logo ali a saber que o jardim de S. Lázaro foi o primeiro a ser construído na cidade logo após as lutas liberais, dedicado às mulheres do Porto que souberam encorajar os maridos na defesa das liberdades. Entramos na Rua do Sol cujo nome é devido ao astro-rei que logo ao nascer entra pela rua, já na ponta a Capela dos Alfaiates que veio do morro da Sé já no sec. XX. Seguimos pelo largo 1º de Dezembro e uma olhadela ao exterior da bela igreja de Santa Clara. Com uma chuva miudinha a querer martirizar o grupo seguimos pela antiga rua de D. Hugo onde há a Casa Museu Guerra Junqueiro, antes tínhamos passado junto à estátua equestre de Vímara Peres e à Sé.
Capela das Verdades e descemos pelas escadas do mesmo nome e logo a seguir pelas extensas escadas do Barredo. Ao fundo o nicho sem o Senhor da Boa Fortuna que foi palmado por um “boi” (nome dado àqueles que no bas-fond da cidade têm comportamentos que ferem terceiros). Passagem pelo Bairro Padre Américo e em pleno miolo do Barrêdo, na Rua de Baixo uma das casas mais antigas da cidade. Chegamos à Ribeira, uma referência ao Rio da Vila, à Rua de S. João e à fonte, tudo obra dos Almadas. Aqui uma referência ao S. João do nicho da fonte, que nunca existiu. Agora está lá um “S. João” sofisticado, feito por um escultor da moda. Certo, certo é que ninguém gosta daquela figurinha!...
Postigo do Carvão, a única porta da muralha Fernandina que chegou até nós. No Muro dos Bacalhoeiros, uma referência culinária à casa onde nasceu Gomes de Sá, o do bacalhau (Eh ASAE, não mandem alterar o nome, por favor!...). A seguir, Capela de Nossa Senhora do Ó e o empenho dos moradores, segundo Júlio Couto, na recuperação do edifício que estava muito degradado. Pela antiga Rua da Reboleira, sempre com as histórias super doseadas de pimenta brejeira ao gosto do grupo, ora do farmacêutico que tratava não sei o quê, ora do Carlinhos da Sé, figura típica do Porto.

A cidade é isto: a história dos lugares e das pessoas. No primeiro caso a história mantém-se viva mas já as pessoas vão rareando na zona histórica.
Assim foram fechados os passeios nocturnos de Dezembro, agora vamos esperar pelos diurnos da Primavera.

  (a imagem é da estação de S. Bento, sacada do gaveto da R. Mousinho da Silveira com a R. Corpo da Guarda.)

 

          Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 10:13
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Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Olhar o Porto

 

O grupo orientado por Helder Pacheco começou às 21 H a beber a história da cidade do Porto fora das muralhas Fernandinas. A partir do largo Monpilher e pela rua da Picaria, o historiador não se cansava de nos chamar a atenção para os prédios do sec XVIII que tiveram o risco e o esquadro dos Almadas. Aliás falar da história da cidade e não tropeçar nos Almadas é como abordar os monumentos do Porto e não referir a Torre dos Clérigos.
Em cada rua há uma história como aquela do enfermeiro da Rua do Correio que tratava as "pichotas" dos malandros que apanhavam a "sifilis". Passamos pela porta do Olival, uma das saídas da cidade para Braga e Guimarães. Existe ali um café com esse mesmo nome que tem no seu interior um pano da muralha. Seguimos pela Rua Barbosa de Castro e uma referência à casa por onde andou Alexandre Herculano. Subimos ao morro da Vitória onde os fotógrafos de serviço, e eram muitos, puderam registar boas perspectivas do Porto e Gaia à noite. Seguimos pelo passeio das Virtudes, miradouro por excelência e descemos a Miragaia onde o labirinto de ruelas, becos, pátios enchem o ego de quem gosta destas coisas. Helder Pacheco regozija-se com a recuperação que a Câmara fez que deveria ser extensiva a outras zonas históricas da cidade.
O passeio nocturno terminou junto aos arcos e igreja de Miragaia não sem uma referência que as potencialidades turísticas da parte histórica da cidade podiam ser uma mais valia se se pudesse tirar partido das mesmas.

Boa noite e palmas para o brilho comunicante de Helder Pacheco, foi o presente de Natal dos acompanhantes.

(A foto foi tirada do Passeio das Virtudes, vê-se o edifício da Alfândega e o Douro)

Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 16:17
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
Olhar o Porto

Cabra manca não tem sesta e se a tem pouco lhe presta! Noite gelada e o grupo numeroso de gente madura com agasalhos à maneira, bonés, chapéus e até gorros russos, diga-se, estava ali junto à Igreja da Lapa para ouvir e seguir os passos do sabedor destas coisas Dr. Júlio Couto, comunicador por excelência. Gente interessada, se são sempre os mesmos não interessa, o que também não é verdade. No outro lado da invicta à mesma hora milhares estavam no gélido estádio do Dragão a ver o F.C.Porto – Guimarães.
Da Lapa, uma referência à escola por onde andou Eça e Ramalho Ortigão, pela Rua do Paraíso, onde alguém já escreveu um livro sobre esta rua chegamos ao bairro alto (R. Bonjardim) onde o rei e senhor da zona, Gonçalo Cristóvão se travou em mimos com o Marquês de Pombal que não era pêra doce, e por isso fez-lhe a vida negra. Subimos pela Rua das Musas(aqui nasceu a fadista ...) e entramos na Fontinha cujos resquícios da era industrial ainda se notam por ali. Mais abaixo as Carvalheiras que tal como a Fontinha mantém o mesmo visual de há cerca de 37 anos quando ali perto frequentavamos a Escola do Magistério Primário do Porto na Rua da Alegria. Espaços mortos da cidade que se vão mantendo sem uma intervenção adequada.
Sempre com a obra dos Almadas( pai e filho) como pano de fundo, com a expansão da cidade para fora das muralhas Fernandinas, a caminhada continuou por Sá da Bandeira com as histórias pitorescas do Dr. Júlio Couto, pimentadas com o floreado que só ele sabe dar para bem dispor os acompanhantes. Homem que conhece a cidade ao milimetro com a vantagem de ter o conhecimento e de ter nascido no coração da urbe. Entramos na Rua de Santa Catarina que podemos dizer é onde agora o Porto mais ferve, sempre a referir-nos ora aquela placa num prédio onde casou Camilo, outra onde nasceu Arnaldo Gama ou a chamar a atenção para a estatueta de Santa Catarina no gaveto com R. de Passos Manuel e mais à frente junto à Batalha no frontal da livraria Latina o busto de Camões. Do outro lado da rua no gaveto com a R. 31 de Janeiro, ao mesmo nível, o busto da sua amada.


A paixão com que Júlio Couto fala do Porto deixa-nos arrebatados! ...

Saudações, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 18:27
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Olhar o Porto

Já cheira a Natal! ...
Dois fortes indícios me levam a afirmar o óbvio. A abertura hoje de um novo shopping na Baixa do Porto “C.C. Porto Gran Plaza” ali mesmo à beira do “Via Catarina”, na Rua Fernandes Tomás e na Avenida dos Aliados a grande árvore de Natal já quase nos finalmente.
No primeiro caso a abertura nesta quadra justifica-se para sacar o cacau aos trabalhadores que apesar da penúria fazem das tripas coração para adquirirem as prendinhas de Natal p´ró conjuge,filho, pai, neto, tia, padrinho, avô e por aí fora... Passei por lá a espreitar. O que vi? O povo é ávido quando lhe cheira a pechinchas!... Não queiram saber a bicha de humanos que estava formada para receber gratuitamente um saquinho de pipocas!...
Quanto à tal árvore, pomposamente se apregoa que é a maior da Europa, depois de pronta, 17 do corrente, será inaugurada com pompa com os sorrizinhos da praxe das entidades apadrinhadoras. Se pensarmos que a dita árvore leva dois meses a ser montada e outros dois a ser desmontada mais um mês e tal a mostrar a sua beleza, tirem as vossas conclusões. A avenida dos Aliados estará assim meio ano transformada num enorme estaleiro com interrupções pontuais de trânsito com reflexos em toda a Baixa com a instalação duma enorme grua que vai ajudando na realização da obra.  Será que se justificará, mesmo que a Câmara não gaste um centavo (agora estamos nos cêntimos)? Quanto a mim tudo isto é um embuste!...

 

    Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 18:52
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007
Olhar o Porto

Tinha-me inscrito no Pelouro da Cultura da CMPorto para o passeio dominical na freguesia de Lordelo sob a batuta do insigne mestre Helder Pacheco. Como sou um indivíduo de compromissos não hesitei, à hora marcada lá estava, apesar da noite ter sido chuvosa.
Logo à partida do Planetário, ao Campo Alegre, a Via panorâmica como é conhecida enche o olhar sobre o Douro, a ponte da Arrábida, a Foz e na outra margem a Afurada. Enfim é um extasiar de enchimento das baterias para a caminhada que se ia seguir.
Bairro da Arrábida encrespado na escarpa do mesmo nome e seguindo pela Rua da Arrábida onde o hoje cheira a ontem, resíduos da era industrial principalmente ligada aos lanifícios. Sempre por ruas estreitas, ora vielas e até carreiros fomos circundando e paramos a olhar para as problemáticas cinco torres do Aleixo, as tais ilhas ao alto como diz Helder Pacheco na sua sabedoria. Descemos ao Ouro, “aliviamos as águas” e “morfamos” algo no café pois a caminhada prometia, e subimos agora pelo Bairro das Condominhas até à Igreja de Lordelo do Ouro. A rua de Serralves cujo conhecimento está agora mais notório devido à Casa do mesmo nome e envolvência. Pelo meio uma casa do sec. XIX, à venda, tira um pouco de sono a Helder Pacheco. Foi residência do grande historiador Pinho Leal, uma placa no alçado lembra esse escritor que travou correspondência com Camilo. Chegamos a Serralves e ficamos a saber que aquele nobre espaço de que o Porto se deve orgulhar foi salvo “in extremis” da especulação imobiliária, ao ser comprado pelo estado pela secretária de Estado Teresa Patrício Gouveia no governo de Cavaco Silva.

 

    Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 18:56
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
Olhar o Porto

Red Bull Race estava por aí na cidade e rapidamente interiorizado por toda a gente. Não sendo muito influenciado pela propaganda publicitária, ou penso que não sou, mas ao fim e ao cabo todos embarcamos pelas cargas repetitivas que estão sempre a indicar-nos o caminho.
Este espectáculo do Red bull no meu ponto de vista não fugiu à regra – em que a forte publicidade ajudou e muito.
Hélas! A coisa prometia, era original com passagem a altas velocidades sob a ponte de baixo, nome com que é conhecido aqui no Porto o tabuleiro inferior da Ponte Luís I. Eu próprio fiquei à cuca mas as expectativas criadas foram-se esfumando. O que interessou foi a publicidade inicial da passagem acrobática na ponte e os 600.000 observadores anunciados! Não me digam que à partida não foi feito um estudo sobre o perigo de tal aventura! São a meu ver as tais mentiras que bem emolduradas em cartaz publicitário dão bons resultados aos organizadores de tais eventos. E agora estou a lembrar-me duma peta nos primeiros dias de Janeiro de 1962 em que a cidade foi assolada por uma grande cheia no Rio Douro. Então correu de boca em boca que as autoridades estavam prontas para cortar a ponte de baixo para evitar males maiores. Os mais maduros devem-se lembrar disso, hoje considera-se uma pura anedota, como se a ponte se cortasse como um queijo, mas na altura quereria dizer certamente que as autoridades estavam nos seus postos e assim abafar a incompetência das mesmas porque não souberam prevenir com antecedência a cheia – dezenas de barcaças e navios foram pelo rio abaixo.

Mas voltando ao assunto principal deste post, voltem para o ano, os aviões, os autarcas anfitriões das cidades Porto e Gaia ficaram satisfeitos e o povo onde me incluo gosta de espectáculo radical, e à borla!...

 

Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 19:00
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
Os carros das vacas

 

Os carros das vacas tinham na minha terra esta designação pois eram estes animais que ajudavam o homem nas várias tarefas agrícolas como lavrar e puxar o carro.
Os da imagem estão já numa semi-paralização, pois muito raramente saem debaixo do alpendre. Vários factores contribuem para isso: por um lado há menos lavradores, menos gado e menor rentabilidade agrícola, por outro a mecanização e a globalização.
O carro em primeiro plano é mais antigo, está equipado com uma sebe. A cabeçalha e as chedas, nestas estão implantados os tornos para uma boa amarração,  são de castanho, já o chadeiro é de madeira menos nobre, geralmente pinho. As rodas são de madeira dura, geralmente sobreiro ou carvalho. As cambas, duas em cada roda, são presas ao meão pelas relhas. Circularmente  o trilho pregado com cavilhas. O eixo é de madeira de lodão e apertado ao chadeiro pelos cocões, cantadeiras e pescazes numa perfeita engenhoca para bem girar.

Como actualmente já muito poucas pessoas estão familiarizadas com estes nomes da ruralidade deixo aqui uma comparação com os actuais nomes de um veículo automóvel. Assim podemos arriscar:
- cabeçalha e chedas: longarinas
- chadeiro: chassis
- meão e cambas: jantes
- trilho: pneu
- cocões e cantadeiras: sistema de rolamentos

Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 23:31
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007
Pela ruralidade - O puto das chancas

Sacola de pano de serapilheira estampada com um cavalinho, às costas, lá ia o petiz de chancas, pois claro, cheio de nove horas para a escolinha. Os filhos dos caseiros iam de tamancos.
Lá em casa era o sermão do costume, que era preciso estudar para ser gente e fazer um brilharete. Os filhos de fulano nunca saíram da cepa torta, entrava-me pelos ouvidos, pois não conheciam uma letra do tamanho de um carro de mato e, por isso, andavam atrás do rabo das vacas!...
A professora, já aqui falei nela pela positiva, não era para tretas, a coisa era mesmo a doer. Na Língua Portuguesa a caligrafia, ortografia, o saber redigir fiava fininho. Cada erro, cada reguada.
Na Matemática era tudo levado aos extremos. Lembro-me que o caderno de problemas tinha nas últimas páginas as “soluções”. Pois eram surripiadas pela professora que não dava a mínima chance para palpites problemáticos.
E a História de Portugal era toda encornada e então era cá cada sabatina!...
Os trabalhos de casa também davam luta, eram feitos à noite à luz da candeia.
Na 4ª classe o exame era preparado com grande empenho e “glamour” quer pela professora quer pelos alunos. E era uma mais valia ir fazer o exame à sede do concelho, tendo o puto de chancas, que agora ia de sapatos, o privilégio de ir estrear uma caneta de tinta permanente!...

  Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 09:40
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007
Pela ruralidade

Embora me considere um citadino de meia costela, gosto de vez em quando dar uma saltada até à aldeia das minhas raízes, que fica entre Douro e Paiva, onde tenho então a outra meia. As memórias dos caminhos, das casas, dos campos, dos montes e sobretudo das pessoas são-me familiares e cada passo que por lá dou faz-me recuar uns anitos e sentir todo o bulício campestre, agora tudo parado num marasmo ensurdecedor devido também à globalização. No meu subconsciente ainda paira o cheiro a estrume espalhado nos campos que não tinha a agressividade do odor fétido de águas poluídas que a céu aberto jorram para o Rio Douro na actualidade.
Por aqui ou ali, no monte ou no campo gosto de sentir o marulhar da folhagem, o chilrear da cerejina e o cantar da água cristalina na levada no meio de todo aquele silêncio divino-sepulcral. É aqui que os poetas enchem o peito para depois expirarem nos poemas toda esta frescura da natureza. Como eu gostava de ser poeta, ou antes, saber escrever poesia!...
Manadas de gado tangido por moços boieiros para a feira quinzenal de Nespereira, tudo a penantes por caminhos travessos, davam um ar buliçoso à minha aldeia embora a feira ainda ficasse a três quilómetros de distância! E que dizer de manadas de vitelos que vinham da feira do Marco de Canavezes para o matadouro do Porto, a boots pois claro, encaminhados por tangedores (mais uma profissão extinta). Felizmente ainda há memórias vivas que nos recordam esse tempo. A minha sogra de 89 anos, ainda de cabeça fresca, é uma dessas testemunhas. Quem geograficamente conhece a distância entre o Marco e o Porto pode tirar daí ilações sobre a vida daquela época.
Era o Portugal agrícola que fervia entre fronteiras cerradas, com o lema do mais produzir é que está o ganho.
Campos, leiras e leirinhas, pequenos quelhos, tudo era fabricado com a ajuda do gado vacum quer nas lavras ou transportes nos carros. A imagem do canastro, que acompanha este post, implantado sobre um caminho público para não ocupar espaço no terreno lavradio é bem a constatação do aproveitamento até ao tutano da terra.
O trabalho na agricultura era de sol a sol ou mesmo antes do sol nascer (ver minha crónica http://magisterio6971.blogs.sapo.pt/127836.html, neste blog). Gente que labutava arduamente e espelhava uma alegria de viver que nos dias de hoje não acontece.
Eu pessoalmente curvo-me perante toda essa gente do Portugal rural da minha juventude

Viver o presente, olhando para o passado dá-nos ânimo para seguirmos em frente, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 19:11
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Pela ruralidade

Ele era um padre da velha guarda, conservador quanto basta. Estávamos nos anos sessenta, ainda a missa era rezada em latim. O cura da crónica real, senhor Abade, como era tratado pelos paroquianos estava radicado na pastoreação da aldeia há cerca de 25 anos.
Tinha alguma terra que era pertença do passal e como tal pensava uma junta de vacas com a ajuda de um criado. Era também senhor dum cavalo que utilizava como meio de transporte nas deslocações a terras vizinhas. Mais tarde teve também um automóvel “cá ôlha”, uma autêntica “xicolateira”.
Como lavrador que se prezava de ser também, deitava logo pela manhã um braçado de erva ao gado. Nada de anormal para um eclesiástico, pois estávamos em pleno Portugal agrícola em que a riqueza estava na terra.
O filme da crónica começa agora: como a missa, homens à frente e mulheres atrás, era rezada pelo Sr. Abade de costas para os crentes, quando se ajoelhava no decorrer da cerimónia espelhava a bosta no pneu estriado da sola dos sapatos, pois antes tinha calcado uma bosteira na corte das vacas.
Hoje este episódio caricato presenciado por mim poderia ser motivo de chacota humorística, mas na altura era visto e aceite com normalidade num país que vivia de mãos dadas com a intensa azáfama agrícola.

 

  Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 11:53
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Pela ruralidade

O Sr. Bateira lavrador e proprietário de meia idade era um braço de ferro e desde sempre os trabalhos agrícolas não tinham para ele segredo. Tinha ido para o Brasil onde não fez fortuna mas ganhou uns trocados e comprou umas terras quando regressou de lá no Vapor. Tinha caseiros para o amanho das propriedades, na condição do chão ser a meias e o ar de terço, (entenda-se “chão” por terra lavradia; “ar” era o rendimento de árvores que estavam nas bordaduras dos campos: videiras, oliveiras e outras árvores de fruto tais como macieiras, pereiras, cerejeiras etc.). Era um homem de cerne que não tinha palha na cama. Mal o galo dava os primeiros acordes, zás, fora da enxerga, mesmo em dias de codo. Era um monteiro de todos os costados.
Tinha combinado com o seu caseiro Gaspar, no dia anterior, fazer uma roçada para o monte do Grou. Mal o relógio do campanário bateu as três da matina, hei-los a caminho da tapada, ao luar, que ainda ficava distante. Enxadas roçadoiras às costas, socos ferrados a tachotes com chapa protectora na biqueira, calças de cotim coçadas, as de Gaspar com testeiras, palhoças e polainas de junco, um taleigo remendado onde levavam o almeiro basicamente constituído por broa e dois ossos de porco com carne (mais osso do que carne) e uma pitada de cachaça brava que até fazia saltar as órbitas! Pelo sim, pelo não, o Sr. Bateira, homem experiente, tinha olhado para o céu e notado uma pequena nuvem cinzenta que podia descambar em chuva e então fez-se acompanhar do guarda-chuva de 12 varas que o guarda-soleiro tinha consertado na semana passada quando passou lá pela aldeia.
O mato arnal, outro gatanho, algumas giestas e codessos também, tudo roçado com a força braçal e conjugada na mestria de dois profissionais que tinham o serviço devidamente sincronizado. A mulher do caseiro e o filho tinham aposto o gado (a Cabana e a Ramalha também madrugaram) e chegaram ali, conforme o combinado, com o “carro das vacas” ao amanhecer! Mato cortado e devidamente acamado em paveias, eram dois a carregar com os forcados, e o moço de chancas para melhor pisar o mato, em cima do carro com o engaço a colocar a carga bem distribuída no chadeiro entre os estadulhos, enquanto a mulher à frente das vacas devidamente protegidas com os barbilhos para estarem sossegadas. Bem amarrado com a comprida corda que enlaçava nos tornos por baixo das chedas, lá vão até à aldeia, Gaspar à soga, por caminhos travessos e estreitos numa sonora chiadeira que saía das cantadoiras e dos cocões denunciando a carrada. Descarregaram no quinteiro, as vacas foram desapostas e metidas na corte onde tinham um braçado de pendão na manjedoura e alguma ferrã. O pessoal foi merecidamente meter pró papo umas buchas acompanhadas com uma infusa de carrascão que a mulher do Sr. Bateira tinha preparado;. A manhã já ia avançada, e a satisfação de terem ali o mato para a cama do gado e sobretudo para o fabrico do estrume para a terra, fonte de riqueza, estava estampada nas conversas entrecruzadas que saíam em catadupa só interrompidas alternadamente quando a infusa ia às goelas destes naturalistas. Ao lado o podengo também rilhava umas ossadas recozidas que lhe tinham posto num covilhete. Ele afinal também tinha ido para o monte, era como se fosse mais um da família!...

“Por mares nunca de antes navegados” dizia o Camões nos Lusíadas no primeiro canto.
Esta minha crónica, com um fundo real, pode também dizer-se que aconteceu “por terras antes navegadas (trabalhadas)”, pois tudo isto na nossa geração passou à história num ápice!

Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 08:40
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Olhar o Porto

 

Quem não tem nada para fazer no sentido laboral, ou é reformado no pleno uso dos seus direitos ou poderá ser um manguela, parasita que vive à custa do suor que foi derramado pelo primeiro.
Fazendo uso dos conselhos do médico de família, em relação aos desligados da rotina diária da ida para o emprego, cujo lema é “mexa-se pela sua saúde” fui hoje pela Rua da Madeira, (na imagem) não passava por lá há muitos anos. Vai da Praça da Batalha mesmo junto ao hotel Mercure (Grande Hotel da Batalha foi o nome com que sempre o conheci e que perdura no meu subconsciente) e vai até à Praça Almeida Garrett. É bastante desnivelada, parte da rua são escadas donde se avistam os comboios no interior da gare de S. Bento. Junto à estação há os WC mais concorridos da cidade. E a afluência é cada vez maior devido ao fecho de outros que havia – Praça da Batalha e Avenida dos Aliados.
Ali mesmo à ilharga da Praça da Liberdade, R. 31 de Janeiro e Praça Almeida Garrett temos ainda gravada a imagem de dois “gravateiros” ambulantes: um, homem espadaúdo, outro, baixote e anafado. Faziam pouso por ali certamente na mira de negócio com algum provinciano chegado no comboio do Alto-Douro. Na altura do Outono também andava naquele local o “castanheiro” que vendia castanhas cozidas e que trazia dentro dum cesto a tiracolo, coberto com um saco de serapilheira, “quentes e boas”, eram vendidas enfuniladas em papel de jornal (mais tarde em folhas das “páginas amarelas”). Mesmo em frente do outro lado da rua, junto à igreja dos Congregados, a vendedora de raminhos de violetas aliciava os transeuntes apressados em especial os jovens namorados ou até algum maduro a levar lá para casa no intuito de suavizar a relação; a senhora de roupa branca que anunciava “rebuçados da Régua” “rebuçados da Régua”!... também tentava a sua sorte. À hora do almoço o homem da lotaria batia os restaurantes da área anunciando o número da sorte: “p`ra baixo e p`ra cima”, de voz timbrada, que se ouvia à distância, o libidinoso cauteleiro metaforicamente referia-se à terminação de determinado número.... O filho dum gaio com esta treta fazia o gáudio dos comensais, safava a jorna pois havia sempre quem puxasse pelos cordões à bolsa numa atitude bazofiadora enquanto as caras metades esgrimiam um sorrisinho maroto.
Tudo isto foi há 35 anos, que recordo com alguma nostalgia estes usos que se vão perdendo, uns por ordem natural das coisas, outros por imposição de normas da CEE (sobre isto sugiro visionamento de Travessa de Cedofeita onde se vê que uma das razões para o fecho da Casa Margaridense especializada em pão de ló, marmelada e geleia foi o facto de não ser autorizado o aquecimento dos fornos com carqueja que vinha de Castelo de Paiva!...) É pena que a cidade vá perdendo a sua identidade!

Fiquem bem, antonio


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Terça-feira, 19 de Junho de 2007
As travessuras

O Sr. António ainda tem carro de vacas, mas não tem animais para o puxar ( na minha terra ainda hoje se denomina, carro de vacas, eram estas que o puxavam pois tinham a dupla vantagem económica de também darem as crias), e então nesta altura acautela-o a sete chaves.
É nesta quadra do S. João que na minha aldeia a rapaziada se entretem a fazer umas ancestrais maroteiras. Em que consistem? Normalmente nas pequenas terras o centro cívico situa-se junto à Igreja que tem à volta um logradouro. É para aí que os moços levam durante a noite os trofeus das suas travessuras. Então os carros bem como utensílios agrícolas (arados e grades) e vasos de flores são levados pela calada da noite. Duma vez levaram um bezerro preso a uma corda que ataram ao badalo do sino da torre da Igreja, tendo colocado à beira do animal uma faixa de palha. Já estão a ver o filme, o bovino a comer a palha e a tocar o sino!
Mas a história mais pitoresca que já em jovem ouvi a velhinhos de altas barbas dizia que determinado rabugento lavrador querendo proteger o seu carro deitou-se no chadeiro. Como estava cansado dos trabalhos agrícolas entregou-se a Morfeu de tal maneira que a rapaziada pegou no carro e foi colocá-lo numa poça (cisterna de terra batida para empresar água de rega). Dizem que o homem só acordou quando a água da nascente foi enchendo a poça e lhe chegou aos pés!...
Esta é de facto uma história com barbas e daí vocês podem tirar as vossas conclusões sobre as travessuras.

Fiquem bem, antonio


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Publicado por antonioduvidas às 00:14
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007
Crónica seis

Sem me querer repetir, não posso deixar de pensar que pertenci a um curso espectacular. E se não deixo de o pensar, é igualmente verdade que não páro de o afirmar. Vou partilhar convosco uma recordação que, certamente, todos vós tereis. Quando hoje olho para este edifício onde funcionou a Escola do Magistério Primário do Porto, nomeadamente para a sua fachada principal, vejo a mesma porta central ou principal e as duas portas laterais. Pois bem. Quando para aquele edifício entrámos, corria o ano de 1969, foi-nos dito que a porta principal era destinada aos professores da escola e as laterais eram para uso dos alunos, sendo que uma era a dos rapazes e a outra a das raparigas. Assim estava superiormente estabelecido e assim foi cumprido. Há até algumas provas fotográficas desse facto. Veja-se, por exemplo, onde foi efectuada a fotografia do grupo de rapazes que iniciou o curso: na escadaria da porta de entrada dos rapazes, como é óbvio. Só que este curso era constituído por gente diferente. Tinha personalidades muito fortes e poderemos até dizer que eram já muito avançadas para a época. E a prova disso está no facto de uma das coisas que sofreu alteração foi a serventia das 3 portas de acesso, ou seja, professores, funcionários e alunos puderam passar a usar, indistintamente, qualquer porta. Esta alteração aconteceu com toda a discrição e a normalidade de funcionamento nunca foi posta em causa. É por isso que sinto o maior orgulho em ter pertencido ao curso de 1969/71 da EMPP.


Sinto-me: Bem
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Publicado por caminheiro1 às 23:44
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